Nova pesquisa da Fundação FEAC revela as principais dificuldades das comunidades de áreas socialmente vulneráveis 

(Por Ingrid Vogl e Laura Gonçalves Sucena)

Garantir alimento é o maior desafio para a população da periferia de Campinas. Isso é o que mostra a nova pesquisa realizada pela Fundação FEAC, com lideranças comunitárias, moradores e técnicos dos serviços de proteção social, educação e saúde de dez territórios apontados como de alta vulnerabilidade social.

O estudo “Principais demandas emergenciais na percepção das lideranças nos territórios mais vulneráveis aos impactos da pandemia da Covid-19 em Campinas” traçou um perfil das necessidades mais urgentes das populações das áreas de vulnerabilidade social em Campinas, que tiveram a situação agravada com a pandemia da Covid 19, principalmente relacionadas às desigualdades sociais e fragilidades da garantia integral dos direitos humanos.

O resultado da pesquisa é uma referência para a tomada de decisões estratégicas na diminuição desses efeitos. O estudo se baseou no diagnóstico “Mapeamento das populações mais vulneráveis ao coronavírus e as áreas de risco em Campinas” como áreas de atenção e alto risco de contágio, realizado no início da pandemia.

Dados

No atual cenário, a demanda mais urgente e desafiadora apresentada no estudo é a garantia de alimentos às famílias moradoras das periferias. Cerca de 85% dos entrevistados apontam este aspecto como precário ou crítico, revelando a urgência de ações de distribuição de doações, ou garantia de renda mínima para aquisição de alimentos, já que em muitos casos, a situação foi agravada pela perda de emprego das pessoas ou diminuição da renda. 

Outro dado preocupante revelado pelo estudo é relacionado às recomendações para a prevenção da COVID-19, que orientam sobre pontos como distanciamento social e uso de máscaras. Em 87% dos relatos essa questão é considerada como crítica ou preocupante. Segundo os entrevistados, o grande número de pessoas vivendo em pequenos cômodos não possibilita o distanciamento. A população também tem dificuldade para  compreender a importância do o uso de máscara para a proteção pessoal, não só em estabelecimentos comerciais, mas também em espaços públicos. 

De acordo com o estudo, o auxílio emergencial é o principal benefício para o enfrentamento às dificuldades de manutenção da renda, sendo para 61% dos entrevistados a única fonte de renda da família. 

Com relação à determinação para o fechamento do comércio, mais de 50% respondeu que os estabelecimentos comerciais  continuaram abertos, mesmo não oferecendo os serviços essenciais, conforme indicação do governo. 

Educação e conectividade

No que se refere à educação, 48% avalia como crítica a oferta nesse momento. Segundo os entrevistados, as crianças estão totalmente sem aulas. Já em 31% dos casos a oferta é precária, sobretudo por conta das dificuldades em acessar uma rede de internet de qualidade e com alguma regularidade para acompanhar as aulas. Somados aos que apontam uma evasão escolar total ou parcial, chega-se a 79% das respostas.

Com relação ao acesso à internet, 52% das respostas apontaram que o acesso à rede é crítico ou precário. Os principais motivos são a dependência dos dados móveis e a baixa qualidade da conexão são os principais motivos dessa classificação. Outro dado interessante é que  29% das pessoas compartilham a rede wifi de vizinhos ou estabelecimentos que disponibilizam o uso gratuito, impactando na frequência em que os moradores desses territórios conseguem utilizar aplicativos de comunicação, redes sociais e plataformas governamentais.  

 Assistência e Saúde

Com relação aos equipamentos públicos e privados que realizam atendimento na área social, a pesquisa mostra que 71% dos entrevistados acreditam que há uma defasagem nos atendimentos de demandas que surgiram e se intensificaram durante a pandemia. Em 15% dos casos essa defasagem apresenta um cenário crítico. 

Os serviços oferecidos pelas Organizações da Sociedade Civil (OSC)  também aparecem como escassos para 74% dos entrevistados, e a descontinuidade das atividades desses serviços é preocupante.

Com relação à saúde, as Unidades Básicas de Saúde dos bairros mudaram a sua atuação frente a situação pandêmica. Assim sendo, 46% dos entrevistados relataram ser crítica, precária ou preocupante a atuação dos equipamentos de saúde em relação à COVID-19, atuando com orientações pontuais, mas não na realização de um trabalho de prevenção e cuidado com a doença e com a comunidade.  

O estudo também traz informações sobre saneamento básico, acesso às informações relacionadas à saúde  via redes sociais e segurança pública.

Para saber mais acesse: https://www.feac.org.br/pesquisa/